quarta-feira, 21 de maio de 2008

O Brasil na 1ª Guerra Mundial e a DNOG


Sumário dos fatos e condições que levaram o Brasil a entrar na Grande Guerra, suas ações e as conseqüências do conflito.


A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial é um incidente pouco conhecido e, em termos do Conflito, de pequenas conseqüências. Contudo, deu-se em um momento delicado de nossa história e inseriu-se dentro de uma proposta de se obter uma maior participação nacional nos negócios mundiais, de forma que teve uma relativa importância local. Mais importante do que isso, as suas conseqüências econômicas foram marcantes, de forma que abordar o assunto é relevante para o sítio GrandesGuerras, como uma demonstração de como o Grande Conflito influenciou muito a situação mundial, mesmos nos países que tiveram uma pequena participação nele. A situação do Brasil nas vésperas do conflito não era das melhores. O boom econômico da borracha, que tinha financiado em parte os programas de modernização da marinha (adquiriu dois encouraçados, dois cruzadores e 10 contratorpedeiros do último tipo em 1910) e do exército (comprou centenas de metralhadoras, 212 canhões de diversos calibres e 400.000 fuzis Mauser entre 1905 e 1910) tinha acabado, com a substituição das importações européias pela borracha da Malásia. Isso resultou no fato de que as forças armadas contassem com equipamentos modernos, mas carecessem de meios de operá-los eficazmente. Por outro lado, a situação social e econômica também era complicada. A economia nacional ainda era basicamente uma fundamentada na exportação de apenas um produto agrícola, o café (na década de 1900 a 1910, correspondia 53% da pauta de exportações, a borracha sendo responsável por outros 26%), e este não podia ser classificado como essencial, de forma que suas exportações (e as rendas alfandegárias, a principal fonte de recursos do governo) diminuíram com o conflito. Isto foi um fator que se acentuou com o imediato bloqueio imposto às Potências Centrais e, mais tarde, com a proibição de se importar café feita pela Inglaterra em 1917, quando esta passou a considerar que o espaço de carga nos navios era necessário para produtos mais vitais, por causa das grandes perdas causadas pelos afundamentos de navios mercantes pelos alemães. Do ponto de vista da economia não-agrícola, ainda muito incipiente neste período, pode-se dizer a Guerra ajudou no desenvolvimento de uma indústria local, pois foi necessário montar-se um esquema de substituição de importações, com a criação de fábricas aqui, Mas mesmo isso não foi tão acelerado quanto poderia ter sido, pois os tradicionais países exportadores de capital, que financiariam estes empreendimentos fabris, estavam envolvidos no conflito e, sem os recursos provenientes das exportações de café, faltava dinheiro para financiamento industrial. Aos problemas econômicos, juntavam-se outros, de natureza social. Para se conseguir braços para a lavoura, o Brasil tinha implantado uma política de incentivo à imigração, sendo que no período de 1904 a 1913, tinham entrado mais de um milhão de imigrantes no País – 4% da população total, de 25 milhões. Esses números tornam-se mais significativos quando lembramos que eles vieram a se juntar à outros imigrantes já morando no Brasil e que a maioria de importantes grupos étnicos envolvidos no conflito (duzentos mil italianos, 56.000 alemães e austríacos e 42.000 turcos) se concentravam em um região restrita, São Paulo e, principalmente, nos três estados do sul do País (onde esses imigrantes recentes chegaram a compor por volta de 10% da população total). Como o governo não tinha uma política de assimilação cultural para esses imigrantes, havia diversos enclaves onde a língua – inclusive a escrita, em jornais – era a de seus países de origem, não havendo uma identificação desses imigrantes com a sua nova nação. Muito pelo contrário, eles se viam mais como nacionais europeus do que como brasileiros. Finalmente, a crise econômica causada pela Guerra teve suas conseqüências no espaço urbano, com o crescimento dos problemas trabalhistas nas fábricas, ocasionado pelas péssimas condições de trabalho, baixos salários e alta inflação. Estes fatores incentivavam a ação dos anarquistas e outros socialistas entre os trabalhadores, levando ao surgimento de um movimento operário que era contrário à Guerra européia. Por exemplo, uma assembléia realizada em março de 1915 com representantes de organizações e jornais operários, criou uma “Comissão Popular de Agitação contra a Guerra”, que conseguiu uma certa adesão. No dia 1º de maio daquele ano foi feita uma manifestação no largo de São Francisco, com cartazes contra o conflito, entre os quais havia uns onde se lia “Viva a Internacional” [Socialista], “Abaixo a Guerra” e “Queremos a paz”. Nesta ocasião foi lido um manifesto pela paz, onde estava escrito, sem exagero: “Os efeitos maus da guerra não se delimitam às fronteiras das nações conflagradas. Eles repercutem mais ou menos fundamente por toda a parte. No Brasil, por exemplo, nunca se atravessou crise parecida com a atual. As fábricas, as oficinas estão paradas, e as que ainda não o estão, funcionam dois ou três dias por semana. Formam legiões os operários sem trabalho. Por outro lado, a carestia dos gêneros de primeira necessidade é cada vez mais acentuada. Atravessamos uma situação como jamais se viu. A miséria agora é regra. Milhares de famílias proletárias passam fome”. Em termos de 1913, os salários perdem 25% do seu valor, enquanto os preços aumentam 23% um ano depois do início da Guerra, fator agravado com o aumento dos impostos gerais, feito pelo governo para suprir a queda das rendas alfandegárias, dando razão aos trabalhadores, que viam na Guerra um dos seus maiores problemas. Muitos desses problemas sócio-econômicos já existiam e eram evidentes em agosto de 1914, de forma que a decisão do então presidente Hermes da Fonseca, de manter uma estrita neutralidade é perfeitamente compreensível, já que qualquer outra medida só aumentaria os conflitos internos. Apesar disso, o Brasil foi o único país da América do Sul a protestar formalmente contra a invasão da Bélgica pelos Alemães. No processo de firmar a nossa neutralidade, o presidente baixou o decreto 11.037, de 4 de agosto de 1914, definindo estritas regras de conduta para o País, com a proibição de atracamento de navios de guerra e de recrutamento de pessoal para ir lutar no exterior, além de vedar o armamento de corsários, exportação de material de guerra, instalação de estações de apoio aos beligerantes (inclusive radiotelegráficas) e assim por diante. Esses decretos foram detalhados e ampliados em outros documento legais, os decretos 11.093, de 24 de agosto e 11.141, de 9 de setembro. Por estas normas, por exemplo, foram internados 45 navios mercantes das Potências Centrais, com cerca de 1.200 tripulantes e até uma canhoneira, a Eber, mas não antes que o armamento e a maior parte do seu pessoal tivessem sido transferidos ilegalmente em Trindade, para armar o corsário Cap Trafalgar. Mesmo assim, a ação de agentes estrangeiros teve continuidade, especialmente entre as comunidades de imigrantes, com a venda de bônus de guerra e um pequeno recrutamento clandestino, principalmente entre os italianos. É óbvio que nem todas as ações contrárias à neutralidade brasileira podiam ser evitadas. O caso dos corsários, como o Möwe, que teria se abastecido e carvão no então distante e abandonado igarapé do Inferno no Amapá (28 de janeiro de 1917) é sintomático dos problemas de nossa marinha em patrulhar a costa, apesar de ter sido criada uma força de patrulha justamente para coibir este tipo de atividade. Registros abundam da ação desses incursores de superfície nas nossas costas, desde o já citado Cap Trafalgar, indo até o Karlsruhe e o famoso Seeadler. Só não se pode dizer que foi totalmente ineficaz, pois a instalação de uma pequena guarnição na ilha da Trindade em 1916, equipada com um rádio, impediu uma repetição do incidente do desarmamento da Eber: quando o corsário Wolf, de acordo com as memórias de seu comandante, percebeu o tráfego de rádio vindo de Trindade, ele deixou de usar a ilha como ponto de abastecimento de carvão. Independentemente da vontade brasileira e da eficiência da aplicação das normas, a política de neutralidade tinha seus problemas. O Brasil, por exemplo, não considerava o café como material de guerra – nem o poderia fazer, já que era a base de sua economia –, mas o produto era visto como contrabando por todos os beligerantes, estando sujeito a imediata apreensão assim que fosse descoberto a caminho de um porto inimigo. Isso resultou na imediata proibição de venda para as Potências Centrais, mas conseguimos manter um certo comércio com os aliados, vendendo café aos ingleses (pelo menos até 1917), e aos franceses durante o conflito. Isso não foi muito problemático nos dois primeiros anos da Guerra, pois, de acordo com as normas do direito internacional, um bloqueio só poderia ser declarado se ele pudesse ser efetivamente implantado, com a inspeção de navios suspeitos, para procura de contrabando de guerra. Devido à superioridade naval inglesa, era impossível aos alemães estabelecerem um bloqueio nesses termos aos portos aliados, de forma que nossos navios, navegando totalmente iluminados, com o nome do País pintado no casco e a bandeira içada, para não serem confundidos com navios de guerra, podiam seguir até os portos aliados. Desta forma, somente um navio brasileiro, o Rio Branco, foi afundado por um submarino nos primeiros anos da guerra (em 3 de maio de 1916), mas este estava em águas restritas, operando a serviço inglês e com a maior parte de sua tripulação sendo composta por noruegueses, de forma que, apesar da comoção nacional que o fato geral, não poderia ser considerado como um ataque ilegal dos alemães. Esta situação de paz se alterou em 1º de fevereiro de 1917. Neste momento, o almirante Tirpiz, convencido que uma campanha irrestrita de ataques ao comércio teria condições de retirar a Inglaterra da Guerra, autorizou seus submarinos a afundar qualquer navio que entrasse nas zonas de bloqueio, sem as formalidades legais da vistoria para verificar se o navio portava contrabando ou não. Sabedor dessa medida, Lauro Müller, o ministro das relações exteriores do Brasil, apesar de ser considerado germanófilo (era descendente de alemães), reuniu os embaixadores e representantes de outras nações sul-americanas em Petrópolis, conseguindo o apoio para uma tomada de posição firma por parte do Brasil, com relação a nova política alemã, fato este que foi facilitado pelo fato noticiado na imprensa, poucos dias depois, da descoberta de uma estação de rádio clandestina alemã, em Niterói. Mesmo assim, em 9 de fevereiro, o ministro das relações exteriores alemão, Zimmerman, encaminhou um ofício a Lauro Müller, nos seguintes termos: “... contra suas intenções, devido à atitude dos inimigos da Alemanha, [esta] se vê na obrigação de abater as restrições às quais se sujeitou o emprego de suas forças navais durante quase dois anos, apesar dos importantes interesses militares prejudicados por semelhante resolução”. O documento era acompanhado de outro, a notificação de bloqueio de 31 de janeiro, em que se colocava que: O Governo Imperial [da Alemanha] não poderia assumir a responsabilidade perante sua própria consciência, perante o povo alemão, perante a História, de não utilizar todos os meios para apresar o fim da Guerra. Tinha sido o desejo e a esperança de ai chegar por via de negociações. Os adversários têm respondido à tentativa de entrar nesse caminho pela declaração de intensificar a luta. O Governo Imperial, para servir a humanidade em sua expressão mais alta e para não se sobrecarregar com pesada falta aos olhos de seu próprio povo, deve pôr em ação todos os meios a fim de continuar a luta a que foi compelido para defender sua existêcnia. Vê-se forçado pois a suprimir as restrições mantidas até agora no emprego dos meios de combater no mar ...” No mesmo dia do recebimento do documento, o embaixador na Alemanha o respondia, afirmando que os termos da proclamação eram inaceitáveis, pois o bloqueio por submarinos não poderia ser considerado como legal e efetivo, além de protestar contra as imensas áreas declaradas como estando sob bloqueio e contra a forma como as operações se dariam, sem restrições. O protesto brasileiro terminava concluíndo: Por isso o Governo brasileiro, não obstante o seu sincero e vivo desejo de evitar divergências com as nações amigas ora em luta armada, sente-se no dever de protestar contra esse bloqueio, como efetivamente protesta e, em conseqüência disso, deixo ao Governo alemão a responsabilidade de todos aqueles casos que se derem com cidadãos, mercadorias e navios brasileiros, desde que se verifique a postergação dos princípios reconhecidos do Direito Internacional ou de atos convencionais dos quais o Brasil e a Alemanha sejam parte”. Os protestos brasileiros caíram em ouvidos moucos. Em 5 de abril o Paraná, um dos maiores navios da nossa frota mercante (4.466 toneladas), carregado de café, foi torpedeado a 10 milhas do Cabo Barfleur, na França, apesar de vir iluminado, estar com a bandeira brasileira içada e ter a palavra “Brasil” pintada no casco. Somando-se a esta ofensa, o submarino alemão, emergindo, ainda disparou cinco tiros de canhão contra os náufragos, além de, obviamente, não prestar socorros a eles. A reação do governo foi a de se recusar a receber o embaixador alemão, Pacti, que tinha ido apresentar explicações sobre o incidente. De forma mais contundente, as relações diplomáticas com a Alemanha foram rompidas no dia 11 do mês, com o argumento de que o bloqueio germânico era ilegal do ponto de vista do direito internacional, não sendo aceito pelo Brasil, além da desumanidade do ataque feito contra o Paraná. Neste momento foram devolvidos os passaportes aos funcionários alemães no Brasil, não mais vistos como personas gratas. Além disso, se assumiu a posse legal dos navios mercantes alemães surtos nos nossos portos, sem os confiscar, contudo, só se determinando que fossem colocados guardas a bordo deles, para reduzir a sabotagem que já estavam sofrendo por parte de suas tripulações. A neutralidade, contudo, foi mantida, como pode-se observar pelo decreto 12.458, de 25 de abril, que declarava o País neutro no conflito que se estabelecia entre as Potências Centrais e os Estados Unidos, que tinham entrado em guerra em 9 do mês, ainda em função da campanha submarina irrestrita. Essa decisão moderada não foi bem vista por todos. O povo foi as ruas, clamando por uma reação mais forte do Governo, posição que foi apoiada por políticos da oposição, como Rui Barbosa, que fez um discurso dizendo que o mero abandono da neutralidade não seria suficiente – nada além da entrada na Guerra satisfaria a nação. Rui Barbosa colocava ainda que a posição do Brasil era semelhante à dos EUA, perguntando se as vidas dos brasileiros valeriam menos do que as dos norte-americanos, já que eles tinham entrado na Guerra e nós não. Se a declaração de guerra dos EUA a Alemanha não tinha sido suficiente para parar o conflito, certamente não seriam os protestos do Brasil que fariam diferença, de forma que a campanha submarina contra o comércio continuou – e as conseqüências disso para o Brasil não tardaram. Em 20 de maio outro navio brasileiro, o Tijucas, foi afundado ao largo de Brest, sendo seguido seis dias depois, pelo Lapa, que foi inspecionado e afundado por três disparos de um submarino, ao largo da Cabo Trafalgar. Em função desses ataques, o presidente Wenceslau Brás declarou sem efeito nossa neutralidade em relação aos EUA (permitindo o uso de nossos portos e outras pequenas vantagens aos navios de guerra norte americanos), fato que foi aproveitado logo pelos americanos, que enviaram uma esquadra com quatro encouraçados em meados de junho, para fazer uma visita de boa vontade ao Brasil. Wenceslau Brás também autorizou o uso dos navios alemães que aqui se encontravam (decreto legislativo 3.266, de 1 de junho e decreto 12.501, de 2 de junho). Finalmente, os benefícios dados aos norte-americanos foram estendidos a neutralidade em relação a França, Inglaterra, Japão e Portugal, mantendo uma dúbia neutralidade em relação aos conflitos que ocorriam entre a Itália e Alemanha e entre os aliados e a Áustria-Hungria, Império Otomano e Bulgária. Esses fatos foram recebidos de forma diversa pela população: um importante segmento, alimentado pela máquina de propaganda, assumia uma posição agressiva contra as Potências Centrais, como quando da suposta descoberta pelo Contra-torpedeiro Maranhão do que seria uma base de operações de submarinos alemães em Combari, perto de Santos, ou a acusação de que o incêndio do jornal o “O Paiz” teria sido causado por uma alemão, de nome Hubner, dentro de uma atuação de sabotagem semelhante a que ocorria nos EUA. Para atender essas pessoas – e mostrar uma posição firme – o general Lauro Müller foi substituído no ministério por Epitácio Pessoa. Mas a ameaça de guerra não tinha conseguido afastar de todos os problemas que o conflito vinha trazendo ao País. A questão operária, tratada como se fosse “caso de polícia”, vinha recrudescendo, com o aumento do custo de vida, inflação e congelamento de salários, a ponto de estourar a primeira grande greve entre os operários de São Paulo. Em junho de 1917, estes cruzam seus braços, pedindo 20% de aumento, em 14 de julho o número de grevistas chegava a 40.000 e o movimento se alastrava para Santos e Campinas. Alguns aumentos são obtidos e o movimento se encerra, mas é considerado um marco no movimento sindical brasileiro e pode ser usado também como índice do aumento da industrialização, pois agora o setor urbano já era numeroso suficiente para causar preocupações ao governo. Do ponto de vista do conflito externo, a situação continuava a mesma, a campanha de submarinos prosseguia e o Brasil tinha que manter seu comércio de exportação de café, de forma que novos confrontos eram inevitáveis. Os navios alemães apresados aqui faziam parte da “Lista Negra” aliada, o que permitia a sua apreensão pelos aliados, mas o Brasil fez um acordo com a França, arrendando 30 deles (com tripulações brasileiras) e passando a usar os 15 outros, retirados da lista negra. Os que não se encontravam muito sabotados por seus tripulantes alemães (recolhidos em campos de internação no Rio de Janeiro), foram imediatamente postos em uso no comércio exterior. Um desses, o Macau, ex-Palatia, em 18 de outubro estava com uma carga de café a 200 milhas do Cabo Finesterra, quando foi parado por um submarino alemão. O capitão do navio, seguido por seu despenseiro, foram a bordo do submarino com os papeis do cargueiro, sendo aprisionados (e nunca mais vistos). O navio em seguida foi torpedeado. O conflito já existia de fato e só restava ao governo brasileiro reconhecer a existência do estado de guerra (o Brasil nunca declarou guerra a ninguém). Assim, o presidente Wenceslau Brás enviou em 25 de outubro uma mensagem ao congresso, onde dizia: ... não haver como iludir a situação ou deixar de constatar o estado de guerra que nos é imposto pela Alemanha”. O Congresso, no dia seguinte, aprovava o decreto 3.361, onde se “reconhecia e proclamava o estado de guerra iniciado pelo Império Alemão contra o Brasil”. Os contra-torpedeiros Piauí e Mato Grosso foram enviados para a Bahia, para capturar a canhoneira Eber, mas os tripulantes desta conseguiram incendiar o navio antes que pudessem ser detidos. Além disso, como uma das primeiras medidas de reforço da nacionalidade, os jornais em língua alemã foram proibidos. Mas esses atos não atendiam os interesses da população dos políticos, que queriam uma participação mais ativa, como uma forma de vingança e para desviar a atenção dos problemas internos. Desta forma, foi criada a Divisão Naval em Operações de Guerra (D.N.O.G.), além de ter sido declarado o Estado de Sítio nos estados do Sul (com numerosos imigrantes estrangeiros) e no Rio de Janeiro e São Paulo, por causa das agitações operárias. A iniciativa da criação de uma divisão naval tinha sido apresentada pelo Brasil na conferência de Paris, no final de novembro, com a oferta de dos dois cruzadores leves (Bahia e Rio Grande do Sul) e de quatro contra-torpedeiros, para operar no circuito Dacar-São Vicente-Gibraltar. Aceita a oferta, a Divisão foi criada em 30 de janeiro de 1918, com do citados cruzadores e os contra-torpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, sob o comando do contra-almirante Pedro Max Fernando de Frontin. Este pediu a cessão de um navio para servir de tender, tendo-lhe sido designado o Belmonte (ex-alemão Valesia), armado como cruzador auxiliar. Finalmente, o rebocador Laurindo Pita (hoje preservado como navio-museu no Rio de Janeiro) completava a DNOG, com um efetivo total de 1502 homens: 75 oficiais de armada, 4 médicos, 50 oficiais de máquinas, 5 oficiais comissários (intendentes), um farmacêutico, um dentista, um capelão, um sub-maquinista, 41 sub-oficiais, 43 mecânicos, 4 auxiliares de fiel, 702 marinheiros, 481 foguistas, 89 taifeiros, um padeiro e três barbeiros. Deve-se observar que essa oferta não era apenas simbólica – os aliados necessitavam urgentemente de navios e tripulações para o serviço de escolta de comboios. Por exemplo, 22 comboios (19 lentos e 3 rápidos) foram organizados entre o Rio de Janeiro e a Inglaterra em 1917 e 1918 e para acompanhar esses comboios eram necessários navios de guerra – e isto em uma frente secundária. O desespero por navios e, mais ainda, tripulações, era tal que a Inglaterra teve que desativar alguns encouraçados velhos para usar as tripulações em navios de escolta e aceitou-se até o envio de uma esquadra de destróieres japoneses para operar no Mediterrâneo, cedendo a eles também dois contratorpedeiros ingleses, para serem tripulados por nipônicos.Mesmo sendo uma medida necessária, a formação da flotilha brasileira sofreu de uma série de problemas, desde o início. Os navios brasileiros, lançados ao mar em 1910, não estavam equipados para a guerra anti-submarina: não tinham hidrofones para detecção de embarcações submersas e não havia calhas especializadas para o lançamento de bombas de profundidade. Além disso, os navios eram movidos por máquinas a vapor queimando carvão, o que exigia um número elevado de foguistas e demandava reabastecimentos constantes, fator agravado pelo pequeno porte de todas as embarcações – os contra-torpedeiros tinham somente 600 toneladas e um raio de ação muito limitado, exigindo constantes transferências de carvão, atividade muito complicada de ser feito em alto-mar. Finamente, devido à própria Guerra, que impedia o fornecimento de peças de reposição, as caldeiras dos cruzadores precisavam ser reparadas, o que não pode ser feito no Brasil. Apesar de todos os pesares, a Divisão seguiu para o Teatro de operações em 16 de julho de 1918. Na viagem, o incidente mais notável teria sido um ataque de torpedo feito contra o tender Belmonte, nas proximidades de Dacar, felizmente não bem sucedido. O suposto submarino foi atacado por tiros de canhão e bombas de profundidade, mas o ataque e o possível afundamento do submarino não puderam ser confirmados. Contudo o almirantado inglês informou sobre o desaparecimento de um submarino alemão que operava na rota da DNOG. Em Dacar, onde a Divisão chegou em 26 de agosto, após sucessivas paradas na rota, os navios receberam ordens de operar na área de Cabo Verde, até então só patrulhada – de forma inadequada – por duas canhoneiras inglesas. Os problemas, entretanto, continuavam. O vírus da gripe espanhola, adquirido em Freetown, começou a causar baixas (no final, a DNOG perderia 110 mortos e 140 incapacitados pela doença: 17% do seu efetivo total). Somava-se a isso os problemas mecânicos, que imobiliziram os dois cruzadores e um dos contra-torpedeiros, o que certamente reduziu em muito a eficácia de ação da Divisão. Após algum tempo, nossos navios receberam ordens dos ingleses para seguirem para Gibraltar, tendo ocorrido na rota alguns incidentes. O Almirante Frontin fora alertado pra tomar cuidado, pois o encouraçado Britânia, designado para acompanhar a flotilha brasileira tinha sido afundado em rota por um submarino e havia um alerta de presença de submersíveis na área. Desta forma, foi com muita tensão que navegamos, o que pode ser a explicação de duas confusões que ocorreram. A primeira foi a muito conhecida “batalha das toninhas”, quando um cardume destes peixes foi confundido com o rastro de um periscópio, fazendo com que o Bahia disparasse seus canhões contra os peixes. O outro incidente foi um ataque de canhões, feito pelo contra-torpedeiro Piauí contra o caça-submarinos 190 da marinha norte-americana, confundido com um submarino devido às suas pequenas dimensões, felizmente sem causar danos ao navio aliado, que logo se identificou. A Divisão chegou a Gibraltar no dia 10 de novembro, às vésperas do armistício, retornando ao Brasil após uma visita de boa vontade à Inglaterra. A ação da DNOG não foi das mais gloriosas. Mesmo tendo sido uma tentativa de mostrar nossa capacidade e vontate de combater o inimigo, serviu mais para ilustrar as deficiências que nossa incipiente marinha tinha que superar. Isso fica claro nos “comentários finais” escritos na História Naval Brasileira, a obra oficial que trata do assunto: “A DNOG escreveu página mais triste do que gloriosa da História da Marinha brasileira. Mas nossa participação na Primeira Guerra, com suas dificuldades e limitações, foi grito de alerta sobre a importância de se manter permanentemente força naval pronta e adestrada, mesmo que modesta, pois, dispondo-se do material, os marinheiros que o guarneceriam não desmentirão, a bravura, a abnegação, o entusiasmo, o espírito de sacrifício, que foram o apanágio das tripulações da DNOG”. Afora a participação da Divisão Naval, o Brasil também enviou um hospital completo para Paris, com 100 médicos e pessoal de apoio, assim como oficiais para participarem do conflito, aprendendo as últimas técnicas que estavam sendo desenvolvidas, como as relativas à aviação (oito pilotos lutaram com a RAF, sete da marinha e um do exército) e em terra. Houve até um oficial que esteve presente na Batalha de Jutlândia e outros combateram na Frente Ocidental. Um deles, o tenente Carlos de Andrade Neves, morreu de doença enquanto servia no 8º Regimento de Artilharia de Campanha Francês, em 1918. Destes oficiais que serviram no exército francês, o caso mais importante e famoso foi de José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que comandou pelotões de cavalaria francesa de três regimentos diferentes, sendo que pelo menos em um dos casos ele comandou uma pequena unidade do 504 Regimento de Dragões, equipados com tanques (Renault FT-17). A experiência adquirida com esses carros e o papel deles no conflito fez com que o exército comprasse o primeiro material blindado do País, uma companhia de 12 carros Renault FT-17, que seria comandada por Albuquerque. A experiência dele com os carros permitiu também que eles fossem adaptados para o Brasil, corrigindo-se uma série de pequenos defeitos de projeto. Por essas razões o General Albuquerque é conhecido como o pai da força blindada brasileira. Além disso, a Guerra – e a compreensão das novas realidades causadas pelo conflito – facilitou em muito a implantação do recrutamento obrigatório no Brasil. Esta era uma campanha que vinha sendo desenvolvida à vários anos pela Liga de Defesa Nacional, e por alguns expoentes de nossa cultura, o maior de todos sendo o poeta Olavo Bilac. Entretanto, essa proposta não tinha tido muito sucesso. Durante a Guerra, todos os grandes exércitos passaram a ser compostos de recrutas conscritos, sendo que alguns dos grandes exércitos já antes da Guerra eram compostos de cidadãos que tinham recebido o treinamento básico durante a paz (54% dos homens franceses em idade militar antes de 1914 tinham recebido esse treinamento). Os antigos exércitos profissionais, de pequenos efetivos, não tinham mais lugar na nova guerra de massa, e isso forçou o Brasil a adotar o recrutamento em 1917 – um fato de grande efeito, pois até hoje nosso exército é formado por um grande número de conscritos que recebem treinamento básico, formando as reservas mobilizáveis em caso de guerra. Os beligerantes também prestaram apoio às forças nacionais, com o envio de missões militares e material de guerra. Os franceses cederam, por exemplo, trinta aviões, base de nossa incipiente aviação militar. Mais tarde, o Brasil contrataria uma missão militar francesa, para treinar nosso corpo de oficiais, fato que teria profundas implicações, já que duas gerações de oficiais foram treinados e instruídos pelos Franceses, entre 1921 e 1934. Do ponto de vista da paz, o Brasil enviou uma imensa comitiva para participar da conferência de Versalhes, chefiada pelo futuro presidente Epitácio Pessoa. Esta comitiva conseguiu incluir dois parágrafos no acordo de paz, um relativo à indenização de sacas de café apreendidas em portos alemães quando da declaração da Guerra e outro relativo a venda dos navios alemães apresados (menos dois, apreendidos pelos Franceses), ambas em condições favoráveis a nós. O Brasil também foi um dos fundadores da Liga das Nações, órgão que antecedeu as Nações Unidas e na qual nossos diplomatas colocaram grandes esperanças, pelo menos inicialmente. A decisão norte-americana de não participar da Liga, e medidas posteriores tomadas por esta, nos desiludiram, fazendo com que o Brasil abandonasse a Liga alguns anos depois, sendo a saída Brasileira considerada por muitos como um símbolo do fracasso daquela organização. Internamente, a Guerra implicou em uma transformação interna mais profunda. A necessidade de substituir importações tinha levado ao surgimento de um núcleo industrial maior e este tinha sido financiado, basicamente, por capitais norte-americanos, já que a Inglaterra, antiga financiadora primordial, não era mais capaz de faze-lo, marcando uma mudança de orientação na formação de nossa dependência econômica, situação que só viria a se acentuar ao longo das décadas seguintes. De um ponto de vista econômico mais imediato, a crise da Guerra não seria totalmente solucionada com o término do conflito. A isso somava-se a visão de diversos setores – interessados na modernização do País – de que uma economia dependente de apenas um único produto agrícola não era aceitável, o Brasil precisando de reformas econômicas e sociais. Esta visão de que reformas eram necessárias, claramente representada pelos oficiais mais jovens das forças armadas, os Tenentes, fizeram com que o período que se seguiu a Guerra fosse marcado por revoltas internas, como o movimento dos “18 do Forte” e a coluna Prestes – todo o mandato de Epitácio Pessoa (1922 a 1926) foi passado com o país em Estado de Sítio devido a estes movimentos e o problema só se resolveria em 1930, com a ascensão ao poder de Vargas e a queda do poder dos cafeicultores de São Paulo. Desta forma, mesmo que a participação brasileira no conflito tenha sido restrita, a 1ª Guerra teve profundas e duradouras conseqüências, tanto militares, como sociais e econômicas.
Fonte deste artigo: Adler Homero Fonseca de Castro

terça-feira, 20 de maio de 2008

REGIME MILITAR _ DITADURA MILITAR

Meus alunos queridos e amados do 9º Ano B se deliciem abaixo com o resumo de nossa aula da semana (26/05 e 27/05)
LEMBRANDO que o BLOg deverá estar pronto até 27/05... ÓTIMO FERIADO>>



Da República Militar à Nova República.
A República Militar (1964/1985).

O golpe militar de 1964 foi efetivado com o objetivo de evitar a ameaça comunista. O regime militar foi marcado pelas restrições aos direitos e garantias individuais e pelo uso da violência aos opositores do regime. O modelo político do regime militar foi caracterizado pelo fortalecimento do Executivo que marginalizou o Legislativo (através da cassação de mandatos) e interferiu nas decisões do Judiciário (como por exemplo a publicação dos atos institucionais); pela centralização do poder, tornando o princípio federativa letra morta constitucional; controle da estrutura partidária, dos sindicatos e demais representações; pela censura aos meios de comunicação e intensa repressão política – os casos de tortura eram sistemáticos.
O modelo econômico do regime militar foi marcado pelo processo de concentração de rendas e abertura externa da economia brasileira.
Governo do marechal Castello Branco ( 1964/67).

Foi eleito por vias indiretas, através do ato institucional nº 1, em 10 de abril de 1964.
Em seu governo foi criado o Serviço Nacional de Informação (SNI). Seu governo é marcado por uma enorme reforma administrativa, eleitoral, bancária, tributária, habitacional e agrária. Criou-se o Cruzeiro Novo, o Banco Central, Banco Nacional da Habitação e o Instituto Nacional da Previdência Social (INPS). Criou-se também o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Em outubro de 1965 foi assinado o ato institucional nŠ2, ampliando o controle do Executivo sobre o Legislativo, extinguindo os partidos políticos – inaugurando o bipartidarismo no Brasil. De um lado o partido governista a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e, de outro lado, a oposição, reunida no MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Este mesmo ato determinou que as eleições para presidente seriam diretas.
Em fevereiro de 1966 foi decretado o ato institucional nº 3 estabelecendo eleições indiretas para governador e para os municípios considerados de “segurança nacional”, incluindo todas as capitais. Em 1967, mediante o ato institucional nº4, foi promulgada uma nova Constituição. Nela mantinha-se o princípio federativo e os princípios dos atos institucionais – eleições indiretas para presidente e governadores. A Constituição fortalecia os poderes presidenciais, permitindo ao presidente decretar estado de sítio, efetivar intervenção federal nos Estados, decretar recesso no Congresso Nacional, legislar por decretos e cassar ou suspender os direitos políticos. Antes de deixar a presidência, Castello Branco instituiu a Lei de Segurança Nacional, sendo um conjunto de normas que regulamentava todas as atividades sociais, estabelecendo severa punições aos transgressores.
Governo do marechal Costa e Silva ( 1967/1969).
Fazia parte da chamada “linha dura” – setor do Exército que exigia medidas mais enérgicas e repressivas para manter a ordem social e política.
Em seu governo, no ano de 1967, formou-se a Frente Ampla, grupo de oposição ao regime militar – liderada por Carlos Lacerda e JK. A Frente exigia a anistia política, eleições diretas em todos os níveis e a convocação de uma Assembléia Constituinte.
As agitações internacionais de 1968 tornou a esquerda mais radical, defendendo a luta armada para a redemocratização do país. O movimento estudantil crescia e exigia democracia.
Da mesma forma, os grupos de direita também se radicalizavam. O assassinato do estudante Edson Luís pela polícia, na Guanabara, provocou um enorme ato de protesto – a passeata dos cem mil. Em dezembro de 1968, o deputado pelo MDB, Márcio Moreira Alves fez um pesado discurso e atacando as Forças Armadas. O ministro da Justiça, Gama e Silva, procurou processar o deputado; porém o Congresso garantiu a imunidade do parlamentar. Como resposta, Costa e Silva decretou o ato institucional nŠ5 – o mais violento de todos. Pelo AI-5 estabeleceu-se, entre outros: o fechamento do Legislativo pelo presidente da República, a suspensão dos direitos políticos e garantias constitucionais, inclusive a do habeas-corpus; intervenção federal nos estados e municípios. Através do AI-5 as manifestações foram duramente reprimidas, provocando o fechamento total do regime militar. Segundo o historiador Boris Fausto: “Um dos muitos aspectos trágicos do AI-5 consistiu no fato de que reforçou a tese dos grupos de luta armada.” Semelhante tese transformou-se em realidade com a eleição (indireta) de um novo presidente – Emílio Garrastazu Médici –pois Costa e Silva sofreu um derrame cerebral.
Governo do general Médici ( 1969/1974).
Período mais repressivo de todo regime militar, onde a tortura e repressão atingiram os extremos, bem como a censura aos meios de comunicação. O pretexto foi a intensificação da luta armada contra o regime.
A luta armada no Brasil assumiu a forma de guerra de guerrilha (influenciada pela revolução cubana, pela guerra do Vietnã e a revolução chinesa). Os focos de guerrilha no Brasil foram: na serra do Caparaó, em Minas Gerais – destruído pela rápida ação do governo federal; um outro foco foi no vale do Ribeira, em São Paulo, chefiado pelo ex-capitão Carlos Lamarca – foco também reprimido pelo governo rapidamente.
O principal foco guerrilheiro foi no Araguaia, no Pará. Seus participantes eram ligados ao Partido Comunista do Brasil e conseguiram apoio da população local. O modelo teórico dos guerrilheiros seguia as propostas de Mao Tsé-tung. O foco, descoberto em 1972, foi destruído em 1975. Ao lado da guerrilha rural, desenvolveu-se também a guerrilha urbana. Seu principal organizador foi Carlos Marighella, líder da Aliança de Libertação Nacional. Para combater a guerrilha urbana o governo federal sofisticou seu sistema de informação com os DOI-CODI (Destacamento de Operação e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), que destruíram os grupos de guerrilha da extrema esquerda. Os DOIs-CODIs tinham na tortura uma prática corriqueira.
O MILAGRE ECONÔMICO

Período do governo Médici de grande crescimento econômico e dos projetos de grandes impactos (como a Transamazônica e o Movimento Brasileiro de Alfabetização-MOBRAL), em razão do ingresso maciço de capital estrangeiro. Houve uma expansão do crédito, ampliando o padrão de consumo do país e gerando uma onda de ufanismo, como no slogan “este é um país que vai prá frente”. O regime utiliza este período de otimismo para ocultar a repressão política – aproveita-se inclusive das conquistas esportivas da década de 70, como o tricampeonato de futebol.
O ideólogo do “milagre” foi o economista Delfim Netto usando como atrativo ao capital estrangeiro as baixas taxas de juros utilizadas no mercado internacional. No entanto, a modernização e o crescimento econômico brasileiro não beneficiou as camadas pobres. No período do “milagre” as taxas de mortalidade infantil subiram e, segundo estimativas do Banco Mundial, no ano de 1975 70 milhões de brasileiros eram desnutridos.
O governo do general Ernesto Geisel (1974/79).O presidente Geisel tomou posse sob a promessa do retorno ‘a democracia de forma “lenta, gradual e segura”. Seu governo marca o início do processo de abertura política.
Em novembro de 1974 houve eleições parlamentares e o resultado foi uma expressiva vitória do MDB. Preocupado com as eleições municipais, no dia 1Š de julho de 1976 foi aprovada a Lei Falcão, que estabelecia normas gerias para a campanha eleitoral através do sistema de radiodifusão: exibição da fotografia do candidato, sua legenda e seu número. Apresentação do nome e seu currículo. Semelhantes regras forçava o candidato a conquistar o voto no contato direto com o eleitor.
No dia 1º de abril de 1977, o presidente – utilizando o AI-5 – decretou o recesso do Congresso Nacional. Foi promulgando, então, o pacote de abril, estabelecendo mandato de seis anos para presidente da República, manutenção das eleições indiretas para governador, diminuição da representação dos estados mais populosos no Congresso Nacional e criada a reserva de um terço das vagas do Senado para nomes indicados pelo governo (senador biônico). Embora a censura aos meios de comunicação tenha diminuído o regime continuava fechada e a repressão existia. Como exemplo, a morte do jornalista da TV Cultura, Vladimir Herzog, nas dependências do DOI-CODI paulista (1975) e o “suicídio” do operário Manuel Fiel Filho em 1976.
O ano de 1977 foi muito agitado politicamente – em razão da crise mundial do petróleo – resultando em cassações de mandatos e diversas manifestações estudantis em todo o país. No ano de 1978 houve uma greve de metalúrgicos no ABC paulista, sob a liderança de Luís Inácio da Silva, o Lula. No final de seu governo, Geisel revogou o AI-5.
O governo do general Figueiredo ( 1979/1985).
Durante o governo de João Baptista Figueiredo houve fortes pressões, da sociedade civil, que exigiam o retorno ao estado de direito, uma anistia política, justiça social e a convocação de uma Assembléia Constituinte.Em março de 1979, uma greve de metalúrgicos no ABC paulista mobilizou cerca de 180 mil manifestantes; em abril de 1981, uma nova greve, que mobilizou 330 mil operários, por 41 dias. Neste contexto é que se destaca o líder sindical Luís Inácio da Silva – Lula. A UNE reorganizou-se no ano de 1979 e, neste mesmo ano, o presidente Figueiredo aprovou a Lei da Anistia – que beneficiava exclusivamente os presos políticos. Alguns exilados puderam voltar ao país.
Ainda em 1979 foi extinto o bipartidarismo, forçando uma reforma partidária. Desta reforma surgiram o PSD (Partido Social Democrático), herdeiro da antiga Arena; o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), composto por políticos do antigo MDB; o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), controlado por Ivete Vargas e formado por setores da antiga ARENA; PDT (Partido Democrático Trabalhista), fundado por Leonel Brizola e PT (Partido dos Trabalhadores), com propostas socialistas. Em 1983 a sociedade civil participou intensamente do movimento das Diretas-já. Em 1984 foi apresentada a Emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. A emenda foi rejeitada pelo Congresso Nacional.
No ano de 1985, em eleições pelo Colégio Eleitoral, o candidato da oposição- Tancredo Neves derrotou o candidato da situação – Paulo Maluf. Tancredo Neves não chegou a tomar posse – devido a problemas de saúde veio a falecer em 21 de abril de 1985. O vicepresidente, José Sarney assumiu a presidência, iniciando um período conhecido como Nova República.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

História da Grécia - Revisão O Mundo Grego 1

Meus queridos amados alunos do 1º Ano A e B, estou postando abaixo um simulado, para facilitar o aprendizado de vcs, façam e somem os pontos finais, Boa Sorte.

ESPARTA e o militarismo.
Localizada na planície da Lacônia e tendo como fundadores os dórios, Esparta, ao longo do século VIII a.C. passa por grandes transformações. Estas transformações estão ligadas ao processo de conquista da planície da Messênia, o que acarretou um enorme afluxo de escravos. A escravidão levou Esparta a realizar uma alteração no regime de terras. As centrais - que eram as mais férteis, passaram a ser do estado, que cedia seu usufruto aos cidadãos espartanos. Cada lote de terra já vinha com um certo número de escravos. As terras periféricas eram entregues aos periecos, que pagavam impostos ao estado.Desta forma, Esparta vai apresentar o seguinte quadro social:Espartanos ou Espartíatas: grupo dominante com direitos políticos e militares;Periecos: homens livres, porém sem direitos políticos e que se dedicavam aos trabalhos rurais e urbanos;Hilotas: os escravos pertencentes ao Estado.
A sociedade espartana era voltada para as atividades bélicas, daí ser a educação eminentemente militar. Este militarismo irá desenvolver a xenofobia, ou seja, uma aversão aos estrangeiros e o laconismo, que significa o não desenvolvimento do senso crítico. Ao longo do século VIII a.C. Esparta atinge a maturidade política, consolidando o regime oligárquico, no qual o exercício do poder político e de exclusividade dos grandes proprietários de terras. A constituição política de Esparta, atribuída a Licurgo apresenta o seguinte organização:GERÚSIA: principal instituição. Composta por 28 gerontes, responsáveis pelas leis, escolha dos membros dos Éforos e da Diarquia.O cargo era vitalício.ÉFOROS: formavam o poder executivo. Composto por 05 magistrados indicados pela Gerúsia e aprovados pela Ápela. Mandato anual.ÁPELA: a Assembléia dos cidadãos. De caráter consultivo e aprovava as decisões da Gerúsia.DIARQUIA: dois reis, indicados e com poderes vitalícios. Possuiam as funções militar e sacerdotal.
ATENAS E A DEMOCRACIA.
Constituída pela união de aldeias da Ática, Atenas possuía uma localização geográfica privilegiada: um excelente porto e uma proteção natural contra ataques estrangeiros. Desde cedo, a atividade mercantil terá um importante papel. Atenas será uma cidade com intensa atividade comercial, o que vai representar o desenvolvimento de uma complexa sociedade, esquematizada abaixo:EUPÁTRIDAS: grupo politicamente dominante, formado pelos grandes proprietários de terras.GEORGÓIS: camada dos pequenos proprietários. A situação de pobreza deste grupo é tanta que muitos se transformam em escravos por dívidas.DEMIURGOS: são os trabalhadores urbanos.THETAS: Grupo marginalizado e sem terras. Muitos se dedicam às atividades comerciais.METECOS: comerciantes estrangeiros.ESCRAVOS: ou por dívidas ou adquiridos em guerras. Constituem a principal força de trabalho. Produtores da riqueza no mundo grego.Os conflitos políticos de Atenas.
A classe comerciante de Atenas, organizada no partido Popular, pressiona o governo, representado pela aristocracia, reunida no partido Aristocrático. O partido Popular tinha como metas o fim das leis orais, o fim da escravidão por dívidas e exigia uma maior participação nas decisões políticas. Da pressão das camadas populares - algumas bastante violentas - a aristocracia ateniense fez algumas concessões. Em 621 a.C., Drácon elaborou uma legislação escrita e, em 594 a.C. Sólon foi o responsável por um conjunto de reformas na economia- criando um padrão monetário, de pesos e medidas; na sociedade -abolindo a escravidão por dívidas e, no campo político estabeleceu o voto censitário, onde a participação política dar-se-ia pela riqueza do indivíduo.
As tensões sociais não diminuíram, apesar das reformas acima, possibilitando a ascensão de Psístrato, o primeiro tirano de Atenas, no ano de 560 a.C. A fase da tirania prossegue com Hípias, Hiparco e Iságoras. A tirania é caracterizada pela realização de obras públicas e pela ampliação de reformas, para conseguir o apoio popular.A Democracia ateniense.
Durante o governo de Iságoras, houve uma aliança de alguns nobres atenienses com Esparta, resultando em novos conflitos sociais. Destes conflitos, Clístenes - um aristocrata - assume o poder e inicia uma série de reformas políticas e sociais, sendo por isto reconhecido como o pai da democracia ateniense. Entre suas reformas destacam-se:-aumento no número de ciadadãos, organizados nos DEMOS (unidade política que forma a tribo. O cidadão deve estar inscrito em uma tribo.);-implantação da isonomia, que significa a igualdade dos cidadãos perante as leis;-criado o ostracismo, ou seja, a cassação dos direitos do cidadãoque fosse considerado perigoso para o Estado.A democracia ateniense vai apresentar a seguinte constituição:ECLÉSIA: Assembléia dos cidadãos, possuia o poder de vetar as leis. Composta por todos os cidadãos.BULÉ: responsável pela elaboração das leis. Formada por 500 cidadãos indicados pela Eclésia.HELIÉIA: formada por doze tribunais, responsáveis pela aplicação da justiça.ESTRATEGOS: Poder Executivo composto pelos estrategos, eleitos pela Eclésia. Mandato anual.
A democracia ateniense será direta e limitada. Direta pois os cidadãos estão reunidos em praça pública tomando as decisões e limitada. Estavam excluídos do exercício político os escravos, pequenos proprietários, trabalhadores urbanos e todas as mulheres. A atual democracia é ilimitada, significa dizer que à partir de uma certa idade, todos têm direitos políticos. No entanto esta democracia não é direta, mas sim representativa. Durante o governo de Péricles (444 a 429 a.C.) a democracia ateniense atinge o seu apogeu.Período Clássico -a época das hegemonias.
Período marcado pelo imperialismo e pelas hegemonias. O imperialismo antigo está caracterizado pelas Guerra Médicas, disputa das cidades gregas contra o expansionismo dos persas.Em 490 a.C. os atenienses venceram os persas na planície da Maratona. À partir desta vitória, os atenienses passam a liderar as demais cidades gregas contra os persas, através de uma liga militar, A Confederação de Delos. No ano de 448 a.C., com a assinatura do Tratado de Susa, os persas reconhecem o domínio dos gregos no mar Egeu.Com o fim da guerra, Atenas passa a exercer uma hegemonia política e cultural sobre as demais póleis. A Confederação de Delos foi mantida -sob o argumento de que os persas podiam voltar -e o pagamento de tributos voltados para a guerra continuaram a serem cobrados. Estes recursos foram aplicados para o desenvolvimento de Atenas.Este período de esplendor ateniense, o século V a.C. é conhecido como o "Século de Péricles" , ou "Século de ouro", marcado pelo aperfeiçoamento das instituições democráticas, pela construção de obras públicas e pelo grande desenvolvimento das artes e do pensamento filosófico. Fídias, Sófocles, Heródoto e Sócrates são alguns dos nomes deste período.GUERRAS DO PELOPONESO.( 431 a 404 a.C.)Trata-se de uma guerra civil, contra a hegemonia de Atenas e contra a Confederação de Delos.A cidade de Esparta declara guerra à Atenas no ano de 431 a.C. e organiza uma liga militar, a Liga do Peloponeso. Com o final das guerras em 404 a.C., Esparta inicia uma hegemonia militar sobre as cidades gregas.As guerra civis continuam por um certo período, Tebas exercerá também um domínio sobre as póleis.Estas guerras internas enfraquecem as cidades gregas, possibilitando a invasão de um povo estrangeiro, os macedônicos.Período macedônico -o mundo helenístico.
A história autônoma do mundo grego estende-se até o ano de 338 a.C. , quando Filipe da Macedônia conquista a Grécia, após a Batalha de Queronéia. A vitória macedônica foi facilitada pelas rivalidades internas das cidades gregas.Com a morte de Filipe, seu filho Alexandre Magno ocupa o poder é inicia uma grande expansão territorial, formando o Império Helenístico. Este império era formado pela Macedônia, Grécia, Ásia Menor, Egito, Mesopotâmia, Assíria e Pérsia. A civilização helenística é conseqüência da fusão cultural helênica(grega) com a oriental ( Egito e Pérsia), caracterizada pela política de casamento entre os gregos e os orientais, pela manutenção dos cultos religiosos e pelo predomínio do grego como idioma oficial. Os principais centros de difusão do helenismo foram as cidades de Alexandria, Pérgamo e Antióquia.Em 323 a.C. com a morte de Alexandre Magno, o império foi dividido em quatro partes: Mesopotâmia, Egito, Ásia Menor e Grécia.CULTURA GREGA. RELIGIÃO -elemento fundamental da unidade cultural grega. Caracterizada pelo politeísmo e antropomorfismo, quer dizer, os deuses gregos assemelhavam-se aos homens, tendo a imortalidade como a única distinção.TEATRO - Muito apreciado pelo gregos a ponto de existirem os festivais anuais. Os principais gêneros foram a tragédia e a comédia. Seus principais representantes são:Tragédia- Ésquilo, autor de Os Persas, Os sete contra Tebas e Prometeu Acorrentado. Sófocles, com as peças Édipo-rei e Antígona.Eurípedes, com enorme senso crítico e autor deMédeia. Comédia - Aristófanes, que escreveu As rãs, As vespas e A paz.

EXERCÍCIOS

1. (UEMT) - O enfraquecimento das cidades gregas, após a Guerra do Peloponeso (431/404 a.C.), possibilitou a conquista da Grécia pelos:
a) bizantinos
b) hititas
c) assírios
d) persas
e) macedônios.

2. (FUVEST) Na antigüidade, a escravidão foi uma instituição:
a) presente com igual importância econômica em todas as sociedades mediterrâneas;
b) restrita às cidades-Estado da Grécia e à Roma republicana e imperial;
c) tão importante na sociedade do Egito e da Mesopotâmia quanto nas da Grécia e de Roma;
d) marcante nas sociedades grega e romana só a partir de um determinado estágio do desenvolvimento de ambas;
e) desconhecida nas chamadas sociedades hidraúlicas do Egito e da Mesopotâmia e entre os hebreus e fenícios.

3) (MACK) Foram traços característicos da democracia grega:
a) o fato de ser direta e excluir mulheres, estrangeiros e escravos;
b) o fato de ser representativa e se estender a toda a população;
c) Ter mantido a unidade gentílica e os privilégios dos eupátridas;
d) Ter beneficiado os escravos, que passaram a ser considerados cidadãos com direitos políticos; e) Não possuir mecanismos que defendessem o regime democrático contra possíveis golpes autoritários.

4) (UNIP) Sobre as Guerra Médicas, ocorridas durante o Período Clássico da Antiguidade Grega, podemos afirmar que:
a) foram provocadas pelo imperialismo ateniense na Época de Péricles
b) caracterizaram-se pela disputa militar entre gregos e macedônios
c) inserem-se no quadro do imperialismo persa
d) envolveram os partidários da Confederação de Delos e as cidades-Estado da Liga do Peloponeso
e) deram a vitória aos espartanos, que iniciaram um política imperialista.

5) (UFRN) - A colonização grega do século VIII a.C. foi um processo econômico, mas também:
a) uma estratégia política de ocupação e civilização doMediterrâneo
b) de liberação do comércio no Mediterrâneo
c) a causa da decadência da Grécia
d) implicou a destruição dos povos que foram colonizados;
e) provocou uma emigração considerável do território da Grécia.

6) (FUVEST) Escreveram peças para o teatro, durante o "Século de Péricles":
a) Homero, Tucídedes, Heródoto e Xenofonte;
b) Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes;
c) Sócrates, Protágoras, Platão e Aristóteles;
d) Eratóstenes, Arquimedes, Euclides e Pitágoras;
e) Píndaro, Alceu, Safo e Hesíodo.

Respostas - 1) E 2) D 3) A 4) C 5) E6) B

ENEM 2008. O Vestibular começa agora! EStejam preparados...


Está chegando a hora queridos alunos do 3º Ano A e B.. e precisamos aproveitar e se dedicar esse tempo. Então lá vai a dica... inscrevam-se no ENEM e BOa Sorte!


O Inep divulgou na última semana as datas relacionadas ao exame nacional do Ensino médio 2008, o famoso ENEM. O período previsto para as inscrições é relativamente curto (05 a 31 de Maio), razão pela qual o candidtato não deve deixar para realizar a sua inscrição na última hora.
A experiência tem mostrado que nos últimos dias há um natural congestionamento no site do INEP, que naturalmente causa alguma preocupação, que pode e deve ser evitada com a inscrição antecipada sendo realizada nos primeiros dias de Maio.
Embora poucos se dêem conta disso, o Enem deve ser encarado com muita seriedade e preparo, pois todos os grandes vestibulares contam com essa avaliação para compor a nota final de seus candidatos. Para que se tenha uma idéia, um bom desempenho no Enem pode garantir ao candidato de 4 a 7 pontos na primeira fase. São pontos importantes que não devem desprezados não é mesmo?
Para atender aos que se preparam para esse exame, postarei nos próximos dias um simulado online com questões dos últimos exames do Enem para que os leitores deste blog familiarizem-se com o tipo de questões cobradas.

domingo, 18 de maio de 2008

O PANORAMA DA HISTÓRIA DA ARTE OCIDENTAL Graciene Reis

A GRÉCIA - MÃE DE TODAS AS ARTES
AS ORIGENS DA ARTE OCIDENTAL E O NASCIMENTO DO MODELO CLÁSSICO
• Sabemos que as artes, de forma geral, arte, arquitetura, literatura, filosofia e ciências, tiveram o seu apogeu na Grécia dos 500 anos aC. Este período que ficou conhecido como helenismo, se constitui em toda a nossa herança da antigüidade clássica na arte ocidental. A presença da arte grega foi tão marcante que veio a influenciar todos os outros estilos futuros.
• Porém esse período de alto desenvolvimento da arte grega teria iniciado a partir do ano 2000 aC, quando os cretenses criaram seu próprio sistema de escrita. É desse época também as primeiras civilizações urbanas, que ficavam em torno dos grandes palácios. Estes palácios foram destruídos, por volta de 1700 aC e reconstruídos em 1500 aC. Destes, o mais importante foi o de Cnosso – chamado de Palácio de Minos, que pelo seu formato de labirinto teve sua existência associada a lenda do Minotauro. Esta portanto é a civilização Minóica.
• A mesma situação viveu a civilização Micênica entre os anos de 1600 a 1100 aC, cuja arte produzida tinha grande semelhança com a Minóica. Mesmo assim, deixou obras que tiveram características próprias, como “A Porta dos Leões”.
• Estas civilizações desapareceram, sem que possamos associar a continuidade das obras produzidas a partir de 800 aC a tais civilizações.
• A partir deste período é que podemos sinalizar um estilo que a história classificou como “Geométrico” que estaria ligado a decoração da cerâmica e mais tarde aos baixos relevos e ornamentos da arquitetura.
• O chamado Estilo Arcaico, perto de 700 aC, foi, possivelmente, estimulado pelas relações comerciais com o oriente próximo, particularmente, o Egito. Razão pela qual, vamos ver que a criação das colunas Dórica, Jônica e Coríntia, tiveram uma concepção muito semelhante as egípcias. Os egípcios criaram colunas de sustentação, com capitéis inspirados em folhas de papiro e lotus.
• Devemos lembrar que foi neste período em 750-700 que Homero escreveu a Ilíada e a Odisséia. Estas duas obras representam todo o cenário da antiga Grécia, com seus costumes, deuses e mitologia, mas sobretudo a topografia das ilhas e lugares sagrados. A obra de Homero, mesmo naquela época era lida em dias festivos, como uma reverência nacional.
• O teatro Grego também se faz presente em Ésquilo, Sófocles e Eurípedes entre 600 a 400 aC.
• A filosofia que começou a evoluir antes de Socrates – 400 aC, passaria por Platão entre 427 a 347 aC e finalmente a Aristóteles entre 384 a 322.
• Enfim a Grécia atingiria o seu apogeu como civilização evoluindo também no campo da matemática, com Pitágoras em 520 aC e na medicina, com Hipócrates em 469 aC.
• O Estilo Clássico aparece a partir de 480 aC. É neste período, onde o avanço em todos os aspectos da arte atingiria um dos graus de maior evolução. Na arquitetura aparecem as três ordens dórica, jônica e coríntia. A dórica, considerada ordem básica, é a mais antiga e mais definida que a jônica, enquanto a coríntia uma variante da segunda. O termo ordem arquitetônica se torna singular na arquitetura grega, de onde, tudo dela provém, haja vista que nenhum outro sistema arquitetônico, chegou a produzir coisa comparável. Um templo dórico é único, todos pertencem a uma mesma espécie, facilmente identificável na sua consistência interna e externa, que não permite variações, nem ornamentos fora do padrão.

• A escultura evoluiu a partir do estilo arcaico, onde é patente a influência da escultura egípcia, e facilmente pode ser observada a falta de proporção que só o estilo clássico trouxe. A partir desse período as figuras são tratadas com uma beleza quase matemática, onde as proporções do corpo, cabeça, rosto, parecem medidas sob um cânnon de regras cuja finalidade seriam manter a beleza sob medida. Entra nesta regra o formato do rosto, cabelos tamanho dos olhos, boca proporcional ao tamanho do nariz. Peso da figura em relação a altura, considerando todo o trabalho anatômico do corpo desde a musculatura toráxica até a compleição muscular das pernas e braços. Observando inclusive o formato do abdome até a região pubiana, que no estilo arcaico aparece sem nenhum pelo, evoluindo a partir do estilo chamado helenístico num padrão, onde os pelos pubianos são tratados como ornamento do corpo, assim como o próprio panejamento dos trajes que se acentuam em dobras e drapeados até então nunca vistos. A escultura deste período entre 300 a 200 aC, atinge um grau de expressividade bem mais acentuada, maior dinâmica e objetividade.
• A nudez masculina na escultura grega tem uma abrangência bem maior que a feminina. Pode-se atribuir isto, ao fato de que os esportes olímpicos eram praticados por jovens nus. O primeiro deles ocorreu em 776 aC. E, considerando o domínio do helenismo no mundo mediterrâneo, a cada estádio inaugurado pelos gregos, civilizações estrangeiras, subjugadas, assistiam aos jogos. Um dos livros da Bíblica Católica, considerado como “deuterocanônico”, o Livro dos Macabeus, relata o fato haver certa vergonha entre os judeus circuncisos, pela falta da pele do prepúcio, considerando que os gregos não praticavam a circuncisão.
• A história da Grécia acaba a medida em que floresce a civilização romana. No entanto a sua influência cultural, a própria língua, falada em todo o mundo mediterrâneo (o Koiné), a literatura, a filosofia e arte permaneceram vivas, num testemunho autêntico de sua existência.